Este texto servirá de introdução para uma série de outros que serão postados e organizados de tal forma. Também transformaremos essas informações em vídeos para o nosso canal no YouTube posteriormente, visando facilitar a compreensão destes temas e ser mais uma ferramenta para assimilação de ideias que em primeiro momento parecem distantes de uma realidade ocidental, capitalista e agitada. A ideia é justamente trazer para o dia a dia e servirmos de facilitadores.

AUTOCONHECIMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO – PARTE 1

Só se pode mudar a rota da existência quando a pessoa descobre em si tudo aquilo que a faz continuar na contramão daquilo que deseja. Desta forma, sem empreender a jornada do autoconhecimento, o indivíduo seguirá aquela voz que diz: quero que tudo mude, mas desde que tudo permaneça o mesmo.

Pode parecer paradoxal, mas ficar acomodado nos padrões estabelecidos enquanto a vida pede por transformações, é porque há algo inconsciente dentro de si que não quer a mudança, está preso, apegado ao que já não serve mais, mesmo que conscientemente se deseje mudar.

Nesse momento, é importante olhar com sinceridade dentro de si mesmo para ver o que o está impedindo de ter a atitude para seguir os novos rumos que a vida vem mostrando. E ao interiorizar-se inicia-se o processo de conscientização, que aos poucos vai trazendo à luz os obstáculos que dificulta tomar tal atitude.

Para isso, Paulo Freire propõe que “[…] a primeira condição para aceitar ou recusar esta ou aquela mudança que se anuncia é estar aberto à novidade, ao diferente, à inovação, à dúvida.” Caso o contrário, quando não se está aberto, a pessoa cai novamente na burocratização da mente, pois não consegue ir além dos padrões prescritos pela cultura.

Uma segunda medida tão importante quanto estar aberto é a pessoa se perguntar sobre o real papel de sua existência, provocando assim, um decisivo retorno a si mesmo. Voltado a si, o indivíduo se percebe inacabado ao se conscientizar que existe um vasto percurso a ser explorado e necessário para se completar.

Existe uma escolha a ser feita agora: continuar objeto e passivo à vida, ou responsabilizar-se por sua existência se tornando agente de transformações.

O processo de conscientização, em outras palavras, é transcender os padrões previamente estabelecidos, na medida em que reconhece as próprias imperfeições, compreende os seus sentimentos, ressentimentos e admite a sua incompletude; e ao se admitir incompleto, descobre que há condições para se tornar completo, que há condições para mudar.

Logo, assume-se primeiro como objeto, pois a muito fora passivo e neutro, para então, poder se arriscar como sujeito. Assim, ao se descobrir quanto ser humano em totalidade, analisando e discutindo a sua vida numa relação dialógica, a pessoa aberta, conscientizada e responsável, constrói um novo modo de ler o mundo e de agir nele.

A vida de tempos em tempos pede por renovações, é uma lei da existência, tudo é transitório, nada permanece o mesmo por muito tempo. E esse fluxo de impermanência é o que permite o desenvolvimento dos seres vivos.

Ficar parado nesse caso é perecer nos braços da morte. Mas aceitar a transitoriedade de tudo e de nós mesmos, nos abrimos para novas possibilidades, e estamos constantemente nos deparando com o novo que nos revela novas necessidades, sensações, novas formas de se relacionar e ver a vida.

 

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Até o próximo artigo 🙂

Leonardo Surya.