O AME

Em um meio social tão caótico num sentido de “correria”, “falta de tempo”, etc. precisamos falar muito e com poucas palavras para que você leia, não é mesmo?

Sabendo que muita coisa importante se perde nesse processo, vamos falar muito e com muitas palavras, porém, você pode ir primeiro naquilo que mais importa para você, e no que considera se enquadrar na sua busca.

Indo ao encontro da necessidade do dinamismo, separamos em etapas essa explicação sobre a prática, vamos lá:

Nossa prática é estritamente condizente ao propósito de mudar o mundo através da arte de tocar. Pensando em oferecer muito além de um atendimento isolado, criamos uma forma de levar um contexto, experiência, sensações incríveis que caibam em 10, 15 e 20 minutos.

Fazendo uso da música, do aroma, do toque e da condução meditativa verbal para que haja a conscientização do momento, do agora, do estar presente.

Detalhe este que favorece para diminuição da ansiedade e aumento da concentração, ofertando pequenos estímulos neurais que dizem: sim, eu posso me desligar um pouco, posso me concentrar no aqui e no agora – de uma forma bem prazerosa inclusive.

Não apenas, o toque é fundamental no desenvolvimento afetivo de qualquer relação. Aprendermos a ser tocados é necessário para que saibamos tocar, para que tenhamos nosso lado emocional afagado, estimulado, valorizado.

De acordo com Montagu (1988), a pele envolve o corpo por completo, protegendo-o, é o mais sensível dos órgãos do corpo, é o primeiro meio de comunicação do ser humano e é através dela que o mundo externo é percebido. A pele está relacionada ao sistema tátil, sendo esse o primeiro sistema sensorial a tornar-se funcional. A estimulação cutânea é importante para o desenvolvimento físico e comportamental e tem um significado fundamental para o desenvolvimento de relacionamentos emocionais e afetivos saudáveis. Estudos comprovam que a ausência do toque pode causar barreiras ao desenvolvimento dos seres humanos (BRAUN; SIMONSON, 2007).

Não falaremos aqui com termos técnicos, porém, traremos algumas citações de estudiosos da área para fortificarmos nossa fala.

A massagem favorece o corpo e o ser humano como um todo, é só pararmos para pensar como são nossas ações e sentimentos quando estamos estressados ou de bem com a vida, com dor ou sem dor, ou ao compararmos a diferença de alguém que não se ama, que produz doenças e dores que se manifestam no campo físico, e alguém que se ama, se valoriza, investe em si, que produz saúde.

A massoterapia é uma técnica milenar de cuidado da saúde que pode proporcionar relaxamento, bem-estar e confiança, melhorar as funções orgânicas e ajudar a liberar as tensões corporais que podem contribuir para o aparecimento de doenças (BERRY, 2003).

Portanto, mesmo que a massagem ofereça, à nível físico-biológico-corpo-músculo:

Relaxamento;

Alívio de dores;

Melhora na amplitude muscular;

Prevenção a lesões;

Liberação hormonal positiva.

Também favorece todo campo subjetivo que envolve o ser humano.

A massoterapia favorece o relaxamento, apoio emocional e tem influência sobre diversos processos orgânicos. Os efeitos podem ser considerados mecânicos e reflexos. O efeito mecânico refere-se à influência direta da massagem sobre os tecidos moles do corpo, como o alongamento e relaxamento dos músculos, melhora do fluxo sanguíneo, linfático e intestinal (CASSAR, 2001).

Porém, é difícil atribuir a uma manobra o efeito somente mecânico, pois um simples contato com a pele gera uma resposta tipo reflexo neural. Os efeitos reflexos ocorrem de modo indireto, os mecanismos neurais são influenciados pela ação manual sobre os tecidos. O processo acontece por meio da relação entre o sistema nervoso periférico e central, pelos seus padrões reflexos e seus múltiplos trajetos (CASSAR, 2001).

Hoje em dia se retoma àquilo que há milênios se falava: um homem integral, um corpo saudável e uma mente saudável andando juntos.

É inviável falarmos de saúde sem ressaltarmos a importância de se ter clareza que estar saudável nada tem a ver com o determinismo de não ter doença.

 A doença é só o estado mais “sólido”, mais visível daquele desequilíbrio que já vinha há tempos encontrando espaçoA doença é uma forma que nosso corpo tem para “sinalizar” que algo está errado, portanto, se tratarmos apenas sintomas jamais resolveremos àquilo que é causa, que é raiz do problema.

 Mas este parece um tema profundo demais para querermos “tratar” com massagem, não é mesmo? Sim. A massagem não irá salvá-lo nem curá-lo desse processo – como nenhuma outra prática isolada fará. Contudo, pode sim ser uma ferramenta para que comece dizendo para o seu corpo que você se cuida, que busca práticas saudáveis, sensações e experiências engrandecedoras. Com isso, estará criando novas conexões neurais de prazer, de saúde, de felicidade, de recompensa.

É através do toque que a massoterapia atua, o toque transmite uma mensagem de carinho e apoio e permite que o indivíduo que o recebe lide melhor com seus problemas e com as circunstâncias da vida (CASSAR, 2001).

Para complementar esse processo, a filosofia que adotamos contempla, e muito, a conscientização do que envolve saúde-doença, bem como suas complexidades e suas inter-relações, atuando não somente na hora da prática, mas através do compartilhamento de informações relevantes que fogem do sistema tradicional, mostrando, através de pesquisas, estudos relacionados a integralidade, ou através dos ensinamentos passados para nossos profissionais parceiros, que nós somos também produtores da própria saúde, e que a nossa forma de pensar e de sentir têm grande peso e reflexo no nosso corpo.

 Com isso, fica o questionamento de que nada adianta buscar sempre a cura externa dos sintomas sem antes olhar com bastante atenção para a cura interna das causas, para suas próprias questões, paradigmas, preconceitos, angústias, rancores, tristezas que estão sendo solidificados no seu corpo través de manifestações físicas da sua postura, dores e doenças.

 O AME pode ser um forte aliado para contribuir com isso, para criar um contexto favorável para a construção de maiores índices de: humanismo, amorosidade, acolhimento, cuidado, relação positiva com o toque, auto estima.

O toque é uma necessidade básica do ser humano, pode ser utilizado como método de comunicação e aprendizado, além de proporcionar conforto e aumento da autoestima, é essencial para o crescimento, desenvolvimento e melhora da função imunológica (BRAUN; SIMONSON, 2007).

O toque acalentador possibilita a melhora dos relacionamentos íntimos, ajuda a adquirir consciência corporal que é a base da autoproteção e, consequentemente, aumenta a sensação de segurança (BERRY, 2003).

Neste momento provavelmente seja dificultoso para que você consiga conceber a ideia de que uma massagem expressa pode oferecer benefícios sociais, não é mesmo?

Se você leu as citações de teóricos acima e tudo que falamos, já pôde perceber que o toque vai muito além da superficialidade que imaginava antes de chegar até aqui.

Nesta parte vamos falar de lógica. Isso, seguir um raciocínio lógico.

Se o toque oferece mais auto estima, confiança, afetuosidade, proximidade entre as pessoas, afagos e desbloqueios emocionais, quanto isto interfere no campo pessoal? Dos relacionamentos gerais, seja amizade, conjugal ou familiar?

Partindo deste pressuposto, se então a arte de tocar pode ser uma ferramenta para que fomente esses benefícios, uma estratégia para uma melhora social considerável seria estimular esse toque afetivo, tanto a receber – pois só quem recebe aprende a dar – quanto para oferecer no sentido de carinho, de abraço, de entrega.

Temos mais facilidade em acariciar outros animais do que ao nosso próprio semelhante, devido a questões estabelecidas socialmente e que também somos protagonistas e reprodutores. Vemos isto claramente na análise de relações entre pais e filhos das quais àqueles com pais carinhosos também acariciam seus filhos e àqueles com pais não carinhosos, que não aprenderam a receber, que não foram estimulados de forma amorosa, encontram sérias dificuldades em ofertar um amor, um carinho, um afago que não teve, que não aprendeu a receber. Assim como disse Erik Erikson (1902 – 1994), considerado fundador da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, “o desenvolvimento psicológico do indivíduo depende da interação que mantêm com outras pessoas num ambiente social”.

Portanto, a nossa prática é conduzida embasada nesta consciência de importância, de protagonismo, de contribuição, de desconstrução da relação atual com o ato de tocar que predomina no social, para que assim, através do indivíduo tocado por nós, a sua família e seu contexto sejam atingidos indiretamente, como extensão da nossa arte e propósito, a fim de serem produzidos ambientes mais amorosos, seguros e construídos com bases emocionais mais saudáveis.